Economia criativa e impactos no São João são debatidos no programa ‘Contraplano’

Participaram o consultor em economia criativa, André Lobão; o produtor cultural Mário Jorge; e o diretor da Cia. Encantar, Eduardo Netzer

O papel da economia criativa no São João do Maranhão e a expectativa em torno dos impactos econômicos das festividades, que segundo o Governo do Estado será de R$ 180 milhões, foram assuntos tratados no programa ‘Contraplano’, desta terça-feira (20), na TV Assembleia. Os convidados para o bate-papo foram o consultor em economia criativa, André Lobão; o produtor cultural Mário Jorge; e o diretor da Cia. Encantar, Eduardo Netzer.

A presença da economia criativa nas festas juninas do estado foi destacada por André Lobão. “O São João é um ecossistema gigantesco, e muito potente”, atestou.

E ele complementou: “A gente termina olhando apenas para a festa, mas em torno dela a gente vai ver gastronomia, uma série de tecnologias, tecnologia social, inovação comunitária. A gente tem também música, artesanato, dança, fabricação de instrumentos, costura, educação patrimonial, fora o que capilariza a partir desse imaginário que a cultura popular tem como inspiração para outras áreas”, detalhou.

Segundo Lobão, em termos conceituais, a economia criativa ainda está distante da compreensão da maioria das pessoas. Ele abordou, ainda a questão da espetacularização dos grupos da cultura popular. “Se a gente olhar pelo viés das indústrias criativas, por exemplo, para a perspectiva da cultura popular, a gente cai num risco grande de cometer muitos erros”, declarou sobre o perigo de se querer transformar tudo em um produto mercadológico. “É preciso olhar para as peculiaridades”, reforçou.

André Lobão argumentou, ainda, que o investimento deve ser na base, na formação em comunidade. “Não adianta investir milhões no produto final se você não investe no processo, na cadeia produtiva, que é o que faz com que haja essa culminância”.

Nos bairros

A presença das manifestações nas comunidades da capital foi assinalada pelo produtor Mário Jorge. “Em cada bairro de São Luís você tem um grupo de bumba meu boi, um tambor de crioula, uma brincadeira”, disse.

Mário Jorge também pontuou que essa interação nas comunidades pode estar diminuindo, nos últimos anos, alavancada pela força de apresentações pagas em palcos. “Nós temos um produto muito rico. É maravilhoso divulgar o São João lá fora, mas ainda podemos fazer melhor dentro dos bairros, com os jovens das comunidades”, disse.

O produtor cultural também destacou que o poder público precisa estar mais presente para contribuir na manutenção da tradição. “Não é só no período junino, mas o ano todo. Você pode fazer um festival para descobrir novos cantadores, por exemplo, pegar pessoas da comunidade para que ela se sinta presente, útil, como uma bordadeira, e para que o bairro inteiro tenha também interação com o grupo”, observou.

Planejamento

O diretor da Cia. Encantar, Eduardo Netzer, enfatizou que a produção cultural deve primar pela dinamização. “Não é só a questão de você mostrar o produto, mas de você fazer um planejamento, que deve partir também do governo do Estado, das prefeituras das regiões, assim como das próprias associações dos bairros, que poderiam fazer com que esses projetos fossem colocados em voga”, afirmou.

Ele destacou que realizar um evento, montar uma manifestação, envolve toda uma imensa cadeia de produção. “Tudo isso converge para um produto final”, argumentou.

“É importante percebermos que a cultura, ou qualquer outro tipo de produção, deve levar o desenvolvimento para a comunidade, para que ela possa também usufruir do bem que ela está conquistando”, disse.

O programa ‘Contraplano’ é apresentado pelo jornalista Fábio Cabral e vai ao ar todas as terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309).

 

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