Um legado pautado no saber jurídico e na determinação alicerçam o ladrilhar dos Corrêa Lima na advocacia maranhense

Sob a batuta do presidente Kaio Saraiva, a seccional maranhense da OAB, no Calhau, realizou  mais um termo de compromisso dos novos advogados. Entre os presentes destaque para Anacleto Pereira Corrêa Lima, nono membro de uma mesma família de origem negra a alcançar tal feito.

Com especialistas em diversas áreas, como tributário, previdenciário, criminal e civil no exercício efetivo da advocacia maranhense, o pioneirismo do clã se iniciou em 1964, quando Itamar Corrêa Lima ingressou no curso de Direito da extinta Faculdade na Rua do Sol.

E como não poderia ser diferente, aos 85 anos dos quais 53 dedicados ao exercício efetivo da advocacia, o patriarca fez questão de prestigiar o evento que marcou o ingresso de mais um descendente na OAB/MA que, além do avô, também tem como referência a mãe, a jornalista e também advogada Itamargarethe Corrêa Lima.

“Aqui fechamos uma etapa e iniciamos outra. Mesmo sentindo a ausência física da minha vozinha, Zulmira Domingas Pereira Corrêa Lima, que perdemos em 2020 para COVID-19, pois tenho a certeza da companhia dela onde quer que esteja, divido essa vitória com meus familiares, com ênfase ao meu avô, minha mãe e os meus tios “, disse.

Sem esconder o sentimento de gratidão, dr. Itamar esteve ao lado da filha e do neto. “ Somos o interruptor da Democracia no País. Enquanto operadores do direito, é nossa à missão de barrar os excessos e arbítrios dos agentes públicos, independente da esfera de poder. Hoje, presenciar mais um neto abraçando com amor a carreira jurídica, além de gratidão, tenho a certeza que o caminho escolhido foi à opção mais acertada na minha vida”, asseverou.

ORIGEM DO PATRIARCADO:
Abandonado pela mãe aos seis meses de idade, o filho de Severo Corrêa Lima, motorista do Palácio dos Leões no governo de Sebastião Archer foi criado por 13 madrastas. A infância e adolescência conturbadas foram à combustão propulsora para alimentar a vontade de vencer que, somada a determinação de garantir aos descendentes um futuro diferente, feito alçado com primazia, fez com que o aluno do Liceu Maranhense tivesse a certeza que somente através da educação conquistaria um lugar de destaque em uma sociedade imperialista e escravocrata.

O resultado não poderia ser diferente. Em 1964, ele ingressou no ensino superior. O ex- presidente do Centro Acadêmico de Direito é citado como exemplo pelos grandes profissionais que desbravaram e lutaram para fortalecer a profissão no Estado.

LEMBRANÇAS DA DITADURA –
Dono de um legado moral robusto, na trajetória pessoal, o ex-escrivão da Polícia Federal, ex- delegado da Polícia Civil, ex-conselheiro da seccional maranhense nas gestões dos colegas Raimundo Marques e Caldas Góis, que foi aprovado nos concursos de auditor do Ministério do Trabalho e Juiz estadual, mas por problemas familiares abriu mão de ambas às nomeações, tem uma passagem em especial que enche de orgulho filhos e netos.

“O saber jurídico, o caráter, a coragem e determinação são atributos inconfundíveis. Acompanhei a narrativa de muitos fatos, porém enquanto filha, dois me enchem de orgulho. Ambos os episódios tem haver com a Ditadura Militar, período difícil na história do Brasil. O primeiro em 1968, como presidente do Centro Acadêmico, ao ser apontado pelo polícia repressora como líder dos movimentos que eclodiram em todo o País, inclusive na capital maranhense, para protestar o assassinato do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, ocorrida dentro do restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, ele foi preso e retirado da sala de aula. O segundo, já na condição de delegado da Polícia Civil, a prisão de um professor da Universidade Federal do Maranhão e filho de um general carioca das Forças Armadas, na década de 70, auge do período ditatorial, que bêbado e dirigindo um troller pela Avenida Kennedy, ao ser abordado após uma colisão, chamou de macaco o então titular das Delegacias de Acidente de Trânsito e segundo distrito policial”, lembrou a jornalista Itamargarethe.

Ainda exercendo a advocacia apenas, na condição de consultor jurídico da prole, além de Itamargarethe e Anacleto, também são inscritos na seccional maranhense os filhos Itamary, Itamauro e Itamarcia e, ainda, os netos Italanna, Paulo Filho e Raissa, sem contar com outros dois filhos e um neto que são bacharéis e logo logo poderão seguir os passos dos demais Corrêa Lima.

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