O COMPROMISSO E A RESPONSABILIDADE DE EDUCAR II!

 

Itamargarethe Corrêa Lima – jornalista, radialista e advogada, pós-graduada em Direito Tributário, Penal e Processo Penal, pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Olá!!Estamos aqui para darmos continuidade ao diálogo proveitoso que estamos realizando há algum tempo. Encerramos nosso último encontro com a seguinte pergunta: “Devemos amar nossos filhos sem limites?”. E sem delongas, pois pressuponho que esteja ansioso(a) para saber a resposta e assim confrontar com o que pensa e como se comporta no dia a dia, vamos ao que interessa.

A resposta, meu caro, você sabe sim, sabes por quê, porque ela é óbvia. “Amar sem limites não é amor. Estamos a criar uma dependência tóxica. As crianças que não aprendem sobre limitações podem vir a tornar-se adultos que aceitarão e farão tudo numa relação porque não aprenderam que balizar o comportamento é prioritário, tendo em consideração a outra pessoa.

Impor restrições significa respeito. Uma educação excessivamente permissiva retira da criança a oportunidade de crescer com consciência e sensibilidade para com os pais, familiares, amigos e até situações do quotidiano, o que poderá originar grandes problemas no seu futuro.

O “não” jamais poderá ser responsabilizado por roubar o afeto dos nossos filhos, na verdade, precisa ser tratado como um organizador psíquico, um norteador que é fundamental para regular o comportamento e as expectativas da criança, tornando-a mais resiliente e tolerante à frustração.

É fundamental o infante saber, desde cedo, até onde pode ir. É tão interessante e paradoxal que o “não” tem exatamente o mesmo número de letras que o “sim” e, no entanto, é muito difícil para muitos pais verbalizá-lo.

Os pais devem ser consistentes e assertivos, tanto no “não” como no “sim”. Desta forma, o pequeno(a) aprende rapidamente a confiar em ambas as palavras e a saber o seu real significado, dando-lhe ferramentas para melhor acatar um “não”, por exemplo, em contexto escolar, sem a necessidade de insistir em transformar um “não” em “sim”.

Para um crescimento saudável, os pais têm o papel de validar os sentimentos da criança e tentar reorientá-la. Só desta forma é que os mais pequenos vão perceber que nem tudo corre na perfeição na vida, permitindo-lhes encontrar formas de gerir a frustração e de reagir de forma mais adaptada e saudável!

Dizer não aos filhos nem sempre é fácil. Os pais devem estar preparados para ouvir choros, reclamações, caras emburradas. Porém, mesmo com essas “chantagens emocionais”, devem manter a postura e continuar firmes. Dizer “não” faz parte da educação e é um dos tópicos considerados importantes para a criação dos filhos.

Dizer “não” ajuda a prole descobrir as fronteiras entre “o certo e o errado”. Colocar regras e ensinar o filho que algumas coisas podem e outras não se torna fundamental para um bom desenvolvimento da identidade emocional. “Educar é impor limites, com amor, zelo e paciência”.

Além disso, receber um “não” ensina a criança a lidar com um novo sentimento, muito comum a ser enfrentado na vida adulta: a frustração. O pequeno que desenvolve a capacidade de lidar com a negação e entende que tem restrições definidas, conseguirá adentrar às outras fases do desenvolvimento sem sofrimento maior quando perceber que certas coisas não darão certo para ela. Conseguirá, assim, enfrentar melhor as dificuldades que surgirem na sua vida adolescente e adulta.

Tenha em mente que dizer “sim” todo o tempo pode transformar seu filho em uma criança mimada, sem compreensão do que é certo ou errado e que não medirá esforços para ter o que quer, quando e como quiser. O “não” ajudará seu filho a desenvolver uma visão mais sólida do que é o mundo na verdade.

Como tudo em excesso é ruim, uma boa dica é saber dosar: saber dizer “não”, mas também ceder quando julgar não haver problemas. A hora de dizer “não” é aquela em que a criança ultrapassa o limite do que é certo e entra no contexto do que é errado.

A negociação pode ser feita numa fase mais avançada do desenvolvimento para situações que permitam isto. É preciso ressaltar ainda que o mais importante na hora de dizer “não” é seguir com a posição até o fim. Negar e não cumprir a negativa é um comportamento que pode fazer com e ensinar a cumpri-las.

Manter esse padrão de aceitação de todos os desejos das crianças pode resultar em uma que viva uma vida inteira tentando expandir estes limites. A forma mais adequada para acertar é estipular regras desde bebê, quando são apenas receptores no mundo, embora já acreditam que seus desejos devem ser imediatamente atendidos ou até mesmo adivinhados.

Por isso é importante que você ensine seu filho a esperar e a receber um “não”: crianças comportadas, adultos sensatos. E lembre-se: dizer “não” nunca é uma tarefa fácil! Paciência e persistência são características que não podem faltar nesses momentos.

Amar não é e nunca será tarefa fácil, exige de nós empenho e decisão. O amor sincero comporta o sofrimento e a doação em favor do outro. Pelo bem do outro, inúmeras vezes, enfrentamos dificuldades que nos causam dor e pesar.

Existem situações nas quais temos de desagradar a quem amamos em virtude de seu próprio bem. Tais decisões são difíceis e doem mais em nós do que naqueles que são objetos de nossa repreensão.

Porém, é importante salientar que corresponder continuamente e irrefletidamente aos desejos de quem se ama pode se tornar algo negativo, que tende a deformar e não formar. Dentro dessa perspectiva, afirmo: “Dizer ‘não’ também é uma forma de amar”.

Regras são necessárias para qualquer ser humano, pois, por meio delas, alcançamos equilíbrio e maturidade. Pais que não impõem limites aos filhos acabam criando pequenos reis e rainhas e, consequentemente, tornando-se seus súditos.

Somente quem já recebeu um “não” na vida consegue entender a especificidade da palavra humildade. Só aqueles que não foram correspondidos no que queriam, em algum momento de sua história, sabem compreender que sua vontade não é absoluta e que nem sempre estão certos.

É no “não” e no “sim”, no equilíbrio das possibilidades, que se forma uma pessoa, é assim que o orgulho se ausenta e o ser humano consegue entender que os outros também são bons. Nem tudo o que queremos é o melhor para nós, porém, nem sempre conseguimos enxergar assim, e é aí que descobrimos quem nos ama, pois os que sinceramente se interessam por nós não têm medo de nos dizer a verdade e de nos corrigir quando necessário.

Hoje ficamos por aqui com a certeza de que, de forma pedagógica, as nossas palavras permitirão que muitos consigam reavaliar o modelo de educação adotado. Semana que vem estaremos de volta e, na oportunidade, daremos continuidade a esse tema e abordaremos a parte mais dolorosa, na qual iremos falar do papel da escola, da família, da força do exemplo na criação dos nossos pequenos para chegarmos à triste e dura conclusão de que quando os perdemos, infelizmente, é para o nosso orgulho e egoísmo. Até breve!!!

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