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Febraban defende manutenção do parcelamento no cartão

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou uma nota nesta segunda-feira (14) em defesa do parcelamento no cartão de crédito, modalidade criticada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na última semana.

Segundo a entidade, não há “pretensão de se acabar com as compras parceladas no cartão de crédito”. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também defendeu a medida, alegando que “prejudicará os consumidores”.

Campos Neto criticou o crédito rotativo, que é oferecido ao consumidor quando não há condição de pagar a fatura cheia do cartão até a data do vencimento. Nesse caso, a diferença entre o valor pago e a fatura completa vira um empréstimo com juros de cerca de 14% ao mês.

A entidade diz que participa de grupos multidisciplinares que analisam as causas dos juros praticados e alternativas para um redesenho do rotativo, de um lado, e, de outro, o aprimoramento do mecanismo de parcelamento de compras. Portanto, nenhum dos modelos em discussão pressupõe uma ruptura do produto e de como ele se financia.

“Defendemos que o cartão de crédito deve ser mantido como relevante instrumento para o consumo, preservando a saúde financeira das famílias. Isso porque estudos indicam a necessidade de medidas de reequilíbrio do custo e do risco de crédito. Para tanto, é necessário debater a grande distorção que só no Brasil existe, em que 75% das carteiras dos emissores e 50% das compras são feitas com parcelado sem juros”, diz a nota.

“Os estudos da Febraban mostram, ainda, que o prazo de financiamento impacta diretamente no custo de capital e no risco de crédito, e a inadimplência das compras parceladas em longo prazo é bem maior do que na modalidade à vista, cerca de 2 vezes na média da carteira e 3 vezes para o público de baixa renda”, completa.

Por fim, a Febraban afirma que estudos mostram que o prazo de financiamento impacta diretamente no custo de capital e no risco de crédito, e a inadimplência das compras parceladas em longo prazo é bem maior do que na modalidade à vista, cerca de 2 vezes na média da carteira e 3 vezes para o público de baixa renda.

Na semana passada, Campos Neto disse que o rotativo do cartão de crédito poderia acabar. No dia seguinte, disse que levou “puxão de orelha” pela declaração.

Segundo Campos Neto, em até 90 dias, o BC deve apresentar uma solução. Na ocasião, ele afirmou que uma possibilidade seria extinguir o rotativo do cartão. Disse ainda que o BC também estuda em criar algum tipo de “tarifa” para desincentivar a compra desenfreada no crédito com parcelamento de longo prazo.

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