O Instituto Butantan firmou uma parceria com a farmacêutica norte-americana MSD para viabilizar a produção, no Brasil, de um medicamento avançado utilizado no tratamento do câncer, com oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é resultado de um edital lançado pelo Ministério da Saúde em 2024, com foco na ampliação do acesso a terapias inovadoras e no fortalecimento da indústria nacional.
O medicamento envolvido no acordo é o pembrolizumabe, uma imunoterapia que atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. Considerado menos tóxico que tratamentos tradicionais, como a quimioterapia, ele tem apresentado resultados relevantes no combate a diferentes tipos de câncer. Atualmente, o remédio já é adquirido pelo Ministério da Saúde junto à MSD e utilizado no SUS, principalmente em pacientes com melanoma metastático, uma forma agressiva de câncer de pele que pode atingir outros órgãos.
A expectativa é de ampliação significativa do número de pacientes atendidos. Hoje, cerca de 1,7 mil pessoas recebem o tratamento anualmente, com custo aproximado de R$ 400 milhões. Com a possível incorporação da terapia para outros tipos de câncer — como colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão —, a demanda pode chegar a cerca de 13 mil pacientes por ano. A análise dessa ampliação está sob responsabilidade da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
Um dos principais objetivos da parceria é reduzir custos e garantir maior segurança no abastecimento. O acordo prevê a transferência gradual de tecnologia para o Butantan, permitindo que, ao longo dos próximos anos, o instituto adquira autonomia na produção do medicamento. Esse processo inclui etapas progressivas, que vão desde o envase e rotulagem até a formulação completa e produção do ingrediente farmacêutico ativo, o que deve levar vários anos até a nacionalização total.
Além de ampliar o acesso ao tratamento, a produção no país reduz a dependência de cadeias internacionais e diminui o risco de desabastecimento causado por fatores externos. A iniciativa também fortalece a capacidade tecnológica brasileira, ao permitir o domínio de processos produtivos complexos e a possibilidade de desenvolvimento de novos medicamentos no futuro.
A parceria integra uma estratégia nacional mais ampla que busca nacionalizar a produção de até 70% dos insumos utilizados no SUS em um período de dez anos, estimulando a cooperação entre instituições públicas, privadas e científicas. O anúncio foi feito durante um evento internacional no Rio de Janeiro que reuniu especialistas e autoridades para discutir desafios e oportunidades na área de tecnologias em saúde.
Durante a ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a cooperação internacional é essencial para enfrentar os desafios do setor e ressaltou que a saúde pública passou a ocupar papel estratégico no desenvolvimento econômico, na inovação tecnológica e na geração de empregos qualificados. Ele também enfatizou a relevância estrutural do SUS, considerado um dos maiores sistemas públicos universais do mundo, com grande capacidade de demanda e incorporação de novas tecnologias.

