O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), comunicou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na noite desta segunda-feira (3), que a legenda não apoiará sua candidatura à Presidência da República e adotará uma posição de neutralidade nas eleições deste ano.
Mais cedo, durante reunião com o senador, Pereira apresentou um levantamento interno que aponta que 17 dos 27 diretórios estaduais do partido defendem a neutralidade na disputa presidencial. A proposta é liberar as direções estaduais para apoiarem livremente qualquer candidato ao Palácio do Planalto.
O encontro contou também com a participação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Na ocasião, Flávio Bolsonaro voltou a pedir o apoio do Republicanos e reiterou a oferta para que o partido indique o candidato a vice-presidente de sua chapa.
A decisão oficial da legenda será anunciada nesta terça-feira (4), durante a convenção nacional do Republicanos, partido ao qual é filiado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Nos bastidores, Flávio Bolsonaro defendia o nome de Daniella Marques, ex-integrante da equipe do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, para compor sua chapa. No entanto, a indicação enfrenta resistência dentro do Republicanos.
A três dias do prazo estabelecido pela campanha para definir o candidato a vice, o PL intensificou as negociações com partidos do Centrão em busca de uma aliança que evitasse uma solução interna. Uma das alternativas consideradas era a indicação da vereadora Priscila Costa (PL), de Fortaleza, mas as tratativas com outras legendas não avançaram.
Na semana passada, o PP também descartou apoiar Flávio Bolsonaro e rejeitou a possibilidade de indicar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a vice. A parlamentar chegou a informar ao senador que aceitaria o convite, desde que tivesse o aval da direção nacional do partido, o que não ocorreu.
O Podemos caminha na mesma direção. A expectativa é que a legenda anuncie nesta quarta-feira (4) sua decisão de permanecer neutra na eleição presidencial. Embora a presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu (SP), tenha sido sugerida pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), como possível vice de Flávio, prevaleceu entre os diretórios estaduais a defesa da neutralidade.
Além da disputa nacional, os dirigentes do PL e do Republicanos discutiram o cenário político em Minas Gerais. Sem a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo estadual, o Republicanos tende a apoiar o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP).
O PL também avalia essa possibilidade, mas ainda não definiu sua posição. Integrantes da legenda afirmam que outras alternativas seguem em análise, entre elas as candidaturas de Flávio Roscoe (PL) e Vittorio Medioli (PL). Outra hipótese discutida entre os dois partidos é o lançamento do ex-prefeito Luís Eduardo Falcão (Republicanos), que anteriormente era cotado para compor a chapa de Cleitinho.
Na reta final das negociações, aliados de Flávio Bolsonaro apostavam no crescimento do senador nas pesquisas de intenção de voto para atrair novos apoios. O levantamento BTG/Nexus, divulgado nesta segunda-feira, mostrou um avanço de quatro pontos percentuais do pré-candidato no cenário de primeiro turno, resultado visto pela campanha como um argumento importante para ampliar sua base de alianças.
Outro trunfo apresentado aos partidos era o compromisso de priorizar, na formação de um eventual governo, as legendas que o apoiassem desde o início da campanha.
Nos últimos dias, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes atuaram diretamente para tentar reduzir o isolamento político de Flávio Bolsonaro. Nunes defendia o nome de Renata Abreu para a vice-presidência, enquanto Tarcísio concentrou esforços para viabilizar Tereza Cristina na chapa.
Governador e senadora mantêm uma relação próxima desde o período em que integraram o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo interlocutores, Tarcísio chegou a telefonar diversas vezes para Tereza Cristina a fim de construir as condições para que ela aceitasse o convite para disputar a vice-presidência.

