Fenômeno climático coloca Nordeste, Amazônia e Sudeste em estado de atenção

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas, emitiu um alerta global sobre a formação do fenômeno El Niño e seus possíveis impactos nos próximos meses. Segundo a entidade, há elevada probabilidade de que o evento provoque alterações significativas nos padrões climáticos em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.

Entre os principais efeitos previstos para o território brasileiro estão o agravamento da seca na Amazônia e no Nordeste, além da ocorrência de chuvas mais intensas no Sudeste. A combinação desses fatores pode aumentar os riscos de incêndios florestais, comprometer a geração de energia hidrelétrica e provocar enchentes e deslizamentos em áreas urbanas.

De acordo com a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, a situação exige atenção especial das autoridades e dos setores responsáveis pela gestão de recursos hídricos e energéticos. Ela destacou que a redução das chuvas no Nordeste pode impactar diretamente a disponibilidade de água e a produção de energia, enquanto a Amazônia, ainda em processo de recuperação após períodos recentes de estiagem, pode voltar a enfrentar condições severas.

No Sudeste, a expectativa é de aumento da frequência de temporais e de eventos associados, como alagamentos e desmoronamentos. A preocupação se soma aos episódios extremos registrados nos últimos anos, que já causaram prejuízos econômicos e perdas humanas em diferentes estados brasileiros.

Apesar de reconhecer avanços na capacidade de monitoramento e resposta a desastres na América Latina, a dirigente da OMM ressaltou que os fenômenos climáticos têm se tornado cada vez mais intensos e difíceis de prever com base em padrões históricos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o alerta ao afirmar que existe cerca de 90% de probabilidade de o El Niño se consolidar nos próximos meses. Segundo ele, o fenômeno tende a potencializar os efeitos do aquecimento global, ampliando a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo.

Dados apresentados pela OMM indicam uma chance de aproximadamente 80% de que o El Niño esteja presente entre junho e agosto de 2026. As projeções apontam ainda para uma permanência do fenômeno até pelo menos novembro, com probabilidades superiores a 90%.

Embora os especialistas ainda avaliem qual será a intensidade máxima do evento, a maioria dos modelos climáticos sugere que ele poderá atingir níveis moderados ou fortes. Mesmo em intensidade moderada, o El Niño é capaz de alterar significativamente os regimes de chuva e temperatura em escala global.

As análises da agência mostram que as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial vêm apresentando aquecimento progressivo, impulsionado por uma grande reserva de calor acumulada nas camadas mais profundas do oceano. Em algumas áreas, as temperaturas subsuperficiais estão mais de seis graus Celsius acima da média histórica, criando condições favoráveis para o fortalecimento do fenômeno.

Outro indicador acompanhado pelos meteorologistas, o Índice de Oscilação Sul, também aponta para a consolidação das condições atmosféricas típicas do El Niño.

A OMM lembra que o episódio registrado entre 2023 e 2024 esteve entre os cinco mais intensos já observados e contribuiu para recordes globais de temperatura. Em um contexto de aquecimento acelerado do planeta, os impactos de novos eventos tendem a ser ampliados pela maior disponibilidade de calor e umidade na atmosfera.

Historicamente, o El Niño costuma provocar aumento das chuvas em áreas do sul da América do Sul, do sul dos Estados Unidos e de partes da África e da Ásia Central. Em contrapartida, favorece condições mais secas em regiões da América Central, do norte da América do Sul, do Caribe, da Austrália, da Indonésia e do sul da Ásia.

Diante das previsões, organismos internacionais reforçam a necessidade de medidas preventivas, ampliação dos sistemas de alerta e fortalecimento das estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

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